quarta-feira, 18 de julho de 2012

Contos e Causos do Índio - O último guerreiro e a Lua Companheira.




- Se passá desse dia, mais otro e acontecê di nois num voltá, nem que qui tu corra o risco até di morrê salvi o mulequi e fuja daqui qui vai virá o inferno. Depois mostra pra eli a lua cheia qui vai tá tão bunita.
Ao sair da aldeia, com os demais guerreiros, o caboclo Jovino, pressentiu o pior e alertou a esposa.
Mais um confronto armado estava eminente; madeireiros clandestinos, avançavam, destruindo tudo que encontravam pela frente. Com a saída do território, os nativos pretendiam conter os invasores. Era tudo que os madeireiros armados queriam. Na emboscada, não tiveram chance de reação. Tombaram mortos os últimos guerreiros da tribo Jorí. Não demorou e o reduzido povoado estava em chamas.
Amaberia largou as roupas que lavava no quarador à margem do ribeirão e correu em direção a choupana, onde Mambira sua mãe, cuidava de muitas crianças. No exato momento que chegou, o teto de sapê veio abaixo. A índia se atirou ao fogo com o intuito de salvar ao menos um dos filhos:
- Vamu fugi daqui, Mãe Beria! Gritou o menino do lado de fora.
O Garoto de treze anos de idade, retirava a mãe do sinistro. Ele havia saído momentos antes para colher amoras.
Na estrada empoeirada a mulher, com queimaduras por todo o corpo, sem forças para continuar a caminhada, talvez a lugar nenhum, mostrou a Lua Cheia que surgia entre as montanhas e falou:
- Ela é agora sua mãe, sua vó, companheira e anjo de Tupã.
Foram as ultimas palavras de Amaberia antes de entrar na mata fechada para não mais voltar.
O cansaço venceu a raquítica criança que adormeceu a beira do barranco a espera da mãe.
Neri Francisco, o único sobrevivente de sua tribo não soube do suicídio.  Durante a noite fizeram o banquete os animais.

Autor: Neusir - Índio.

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